‘Scientific American’ dichiara che l’Omeopatia è indispensabile per il pianeta terra e per la salute dell’umanità

(Fonte: Scientific America: leggi l’Articolo orginale >>)

Homeopathy is known as an alternative treatment for human beings, but few people know about its utilization on animals, plants, soils, and water. This technique is the target of critiques regarding results and efficacy.  One of them is about the “placebo effect” of its remedies, which do not contain any trace of the raw material used in its preparation. To answer this criticism, a clarification is necessary: homeopathy is not related to chemistry, but to quantum physics, because it works with energy, not with chemical compounds that can be qualified and quantified.

The application of homeopathy techniques to agriculture is not recent, as most people might think. One of the first studies in this field dates back to the 20s, with the research on plants carried out by the couple Eugen and Lili Kolisko, based on the theories of Rudolf Steiner about biodynamic agriculture. Since then a lot of studies have been done in countries like France, India, Germany, Switzerland, Mexico, Cuba, Italy, South Africa, and Brazil. Here the Federal University of Viçosa, in Minas Gerais, is a pioneer in this field.

One needn’t be a health or environment specialist to realize that the conventional methods of treating agricultural pests and diseases produce a disequilibrium in the ecosystem and, consequently, in human beings. Pathogenic agents and pests acquire, over time, resistance to pesticides (which, by market strategy, have come to be called “agricultural defenses”). Therefore, the quantity and aggressiveness of these chemical products must be increased to overcome this situation, causing a disastrous cascade effect: the soil becomes poorer and its yield is diminished; rural workers get severely sick by constantly handling these toxic products; water supplies, including underground ones, are contaminated; and the people who depend on agricultural products get all this exposure to poison, triggering a series of health problems.

With the exception of the pesticide and chemical fertilizer industries, who else benefits from the practice of these conventional treatments?

If Hippocrates could reassess his principle of opposites, represented by allopathy, in view of its later consequences on living beings and the environment, he would remove it from his considerations. Today, homeopathy as a sustainable technique, economically viable, and ecologically correct, has become indispensable to the equilibrium of the planet and to the health of all beings that live in it.

Author: Nina Ximenes, a biologist and postgraduate environmental education student.

This is so bad, I hardly know where to start.  Homeopathy is nothing but an elaborate system for delivering placebos. It is based on magical thinking.  Basic science tells us it can’t possibly work as claimed (with water remembering a substance that is no longer present and with more dilute solutions producing stronger effects). And there is no credible evidence that it has any objective therapeutic effect on humans, much less on animals, plants, soils and water. It has nothing to do with quantum physics: quantum effects are only important at the atomic and subatomic scales, and couldn’t explain homeopathy’s claim that the water “remembers” the original substance, much less explain how that memory could affect health. The claim that homeopathy “works with energy” is just imagination, not substantiated by any evidence.

Rudolph Steiner was a philosopher who founded the spiritual movement called anthroposophy. His “science” is so-called “spiritual science.” Anthroposophical medicine and biodynamic agriculture are two branches of his “science” that are still popular in some spheres but that have been accurately characterized as pseudoscience by real scientists. If you want to know more about anthroposophical medicine, you can read what Dr. Gorski wrote about it last year here.

The author uses inflammatory language to make extravagant claims of harm from pesticides and fertilizers, with no attempt to provide any context or supporting evidence. She uses the term “allopathy,” a meaningless pejorative word invented by Hahnemann, the founder of homeopathy, to disparage his mainstream rivals. She refers to Hippocrates’ “principle of opposites,” a distortion and over-simplification of his ideas. Hippocrates was a smart guy, and I like to think if he were alive today he would have rejected the old “four humor” theory and homeopathy alike, and would have adopted scientific medicine wholeheartedly. She asks “who else benefits” from conventional agricultural practices. I would argue that there are benefits to people who might have starved from food shortages if fertilizers and pesticides had not worked to increase the availability of food. That’s not to say current practices shouldn’t be improved and made safer, but discarding them wholesale and replacing them with homeopathy is hardly the answer!

I wondered if this might be some kind of satire, but I think not. It is on a page with the heading “Advances” and is labeled “Health.”  Is she pulling our leg, or can she possibly really believe homeopathy has “become indispensable to the equilibrium of the planet and to the health of all beings that live in it”? Perhaps she is talking about some other planet in a parallel universe, or in her dreams. If Alice’s White Queen  tried to practice believing this before breakfast, her brain might explode.

If this is what passes for science in Brazil, Brazil is in trouble. Apparently things haven’t changed very much since Richard Feynman had his disappointing encounter with the Brazilian educational system. Of course it really isn’t fair to single out Brazil, because the same things happen in other countries.

If this is what passes for science in Scientific American, the magazine is a reprehensible travesty and should strike the word “scientific” from its title. What were the editors thinking when they foisted this kind of rubbish on their readers? For shame!

Note: Thanks to Felipe Nogueira Barbara de Oliveira for bringing this to my attention and for providing the English translation of Ximenes’ article. He also provided a Portuguese translation of this blog post and suggested that I include it for the convenience of his compatriots. Here it is:

Portuguese Version of the Above

Recentemente recebi um email de um dos leitores do SBM no Brasil, Felipe Nogueira Barbara de Oliveira, um aluno de Doutorado em Ciências Médicas e que possui Mestrado em Ciência da Computação e está tentando promover pensamento crítico e medicina científica no seu país. Ele me enviou uma cópia em .jpg de uma pequena matéria publicada na edição de Abril de 2012 da Scientific American Brasil. Ele ficou horrorizado que isso apareceu sob a alcunha da Scientific American, e eu também. A matéria é a seguinte.

Aviso: isto é doloroso.

 

Eficiência Questionada da Homeopatia

Aplicação dessa técnica à agricultura acena com recuperação de plantas e ambiente

A homeopatia é conhecida como tratamento alternativo para os seres humanos, mas poucos conhecem sua utilização em animais, plantas, solos e água. Essa técnica é alvo de críticas quanto aos resultados e eficácia. Uma delas diz respeito ao “efeito placebo” de seus remédios, que não contém nenhum traço da matéria-prima utilizada em sua confecção. Para responder a essa abordagem é necessário um esclarecimento: a homeopatia não se relaciona com a química, mas com a física quântica, pois trabalha com energia, não com elementos químicos que podem ser qualificados e quantificados.

A aplicação da técnica homeopática à agricultura não é recente, como a maioria das pessoas podem considerar. Um dos primeiros estudos feitos nessa área remonta à década de 20, com pesquisas em plantas realizadas pelo casal Eugen e Lili Kolisko, baseadas nas teorias de Rudolf Steiner para agricultura biodinâmica. Desde então muitas pesquisas tem sido feitas em países como Franca, Índia, Alemanha, Suíça, Inglaterra, México, Cuba, Itália, África do Sul e Brasil. Aqui a Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais, é pioneira nessa área.

Não é preciso ser especialista em saúde ou em meio ambiente para perceber que o método convencional de tratamento de pragas e enfermidades na agricultura gera um desequilíbrio no ecossistema e, consequentemente, no ser humano. Agentes patogênicos e pragas vão adquirindo, com o tempo, resistência aos agrotóxicos – que, por estratégia de mercado, passaram a ser chamados de “defensores agrícolas”. Assim, a quantidade e a agressividade desses produtos químicos tem ser aumentadas para contornar essa situação, provocando um efeito cascata desastroso: o solo se torna mais pobre e diminui sua produção; trabalhadores rurais ficam gravemente doentes pelo manuseio constante desses produtos tóxicos; as águas, incluindo as subterrâneas, são contaminadas; e os seres que dependem dos frutos da terra recebem toda essa carga de veneno, desencadeando uma série de problemas de saúde.

Com exceção das indústrias de agrotóxico e fertilizantes químicos, quem mais se beneficia com a prática desses tratamentos convencionais?

Se Hipócrates pudesse reavaliar o seu principio dos contrários, representado pela alopatia, e suas posteriores conseqüências nos seres vivos e no meio ambiente, ele o excluiria suas considerações. Já a homeopatia como técnica sustentável, economicamente viável e ecologicamente correta torna-se imprescindível ao equilíbrio do planeta e à saúde de todos os seres que nele vivem.

Autora: Nina Ximenes, bióloga, é pós-graduada em educação ambiental.

É tão ruim que não sei nem por onde começar. Homeopatia não é nada mais que um sistema elaborado de distribuição de placebos. É baseado em pensamento mágico. Ciência básica nos garante que a homeopatia não pode funcionar como afirma (com água lembrando uma substância que não está mais presente e com soluções mais diluídas produzindo efeitos maiores).

E não há evidência confiável que possui algum efeito terapêutico em humanos, muito menos em animais, plantas, solos e água. Não tem nada a ver com física quântica: efeitos quânticos são significativos apenas nas escalas atômica e subatômica, e não explicam a afirmação da homeopatia que a água “lembra” a substância original, muito menos como essa memória poderia afetar a saúde. A afirmação que a homeopatia “trabalha com energia” é apenas imaginação, não demonstrada por evidências.

Rudolph Steiner foi um filósofo que criou o movimento espiritual chamado antroposofia. A ciência de Steiner é a tão chamada “ciência espiritual.” Medicina antroposófica e agricultura biodinâmica são dois ramos da “ciência” de Steiner que ainda são populares em alguns círculos, mas que foram perfeitamente caracterizados como pseudociência por verdadeiros cientistas. Se quiser saber mais sobre medicina antroposófica, você pode ler o que Dr. Gorski escreveu (em inglês) sobre isso aqui.

A autora usa uma linguagem inflamatória para fazer extravagantes  afirmações de danos de pesticidas e fertilizantes, sem nenhuma tentativa de prover alguma evidência para apoiá-las. Ela usa o termo “alopatia”, uma palavra pejorativa sem significado inventada por Hahnemann, o criador da homeopatia, para denegrir seus principais rivais. A autora refere-se ao “princípio dos contrários” de Hipócrates, uma distorção e simplificação de suas idéias. Hipócrates foi um homem esperto, e eu gosto de pensar que, se ele estivesse vivo, ele teria rejeitado a antiga teoria dos “quatro humores” e homeopatia, e teria adotado o método científico. A autora questiona “quem mais se beneficia” das convencionais práticas na agricultura. Eu argumentaria que há benefícios para pessoas que poderiam ter morrido de fome devido a escassez de alimentos se fertilizantes e pesticidas não tivessem funcionado para aumentar a disponibilidade de alimentos. Isso não significa que as práticas correntes não devem ser melhoradas e que não devem ser feitas com mais segurança, mas descartá-las de uma só vez e substituí-las por homeopatia dificilmente é a resposta!

Eu gostaria de saber se isso é algum tipo de sátira, mas eu acho que não. A matéria está na seção “Avanços” e com o rótulo “Saúde”. A autora está nos caçoando, ou ela realmente acredita que “a homeopatia torna-se imprescindível para o equilíbrio do planeta e à saúde de todos os seres que nele vivem”? Talvez ela esteja falando de algum planeta em um universo paralelo, ou dos sonhos dela. Se a Rainha Branca de Alice no Pais das Maravilhas tentasse acreditar nisso antes do café da manhã, o cérebro dela poderia explodir.

Se isso é o que se passa por ciência no Brasil, Brasil está em apuros. Aparentemente as coisas não mudaram muito desde que Richard Feynman teve seu encontro decepcionante com o sistema de educação brasileiro. No entanto, é claro que não é justo destacar apenas o Brasil, porque essas mesmas coisas acontecem em outros países.

Se isso é o que se passa por ciência para Scientific American, a revista é uma caricatura repreensível e deveria cortar a palavra “scientific” do seu título. No que os editores estavam pensando quando eles impuseram esse tipo de lixo aos seus leitores? Que vergonha!

Nota: Obrigado ao Felipe Nogueira Barbara de Oliveira por trazer isso a minha atenção e prover a tradução.

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